A PANDEMIA INDICA O QUE O PLANETA ESTÁ DOENTE

Por Nazira Scaffi

Passar por esta Semana do Meio Ambiente, em meio a pandemia de coronavírus, é uma oportunidade de reflexão sobre como estamos tornando nosso planeta doente.

Uma pandemia viral é sinal de que o planeta Terra está estressado e, por isso, gravemente doente. Estresse significa a reação de defesa às agressões na tentativa de manter o organismo equilibrado e vivo. 

Segundo Hans Selye, o estresse se desenvolve em três fases: alerta, resistência e exaustão. Portanto, se a inteligência não for usada e nada for feito para remover ou neutralizar os fatores agressores, o estresse pode levar o organismo ao colapso e à morte.

Da mesma forma que a microbiota corporal pode se alterar e manifestar doenças em decorrência do desequilíbrio entre seus componentes, dos tóxicos, do impacto das temperaturas extremas e da falta de hidratação, a pandemia indica que nosso planeta está doente em decorrência do desequilíbrio que está sofrento e do desgaste de seus recursos de defesa.

A falta de uso da inteligência e a ganância levam à exploração desenfreada, à intoxicação do corpo do planeta e às alterações em todo o sistema.

Falta de condições para a sobrevivência dos povos, desequilíbrios nos reinos animal e vegetal são sinais do desequilíbrio da  biota planetária. As alterações climáticas, os cataclismas, a desertificação e as zoonoses são sinais  do adoecimento do planeta.

Entretanto, na tentativa de preservar a vida e a integridade do sistema, o planeta, desenvolve um mecanismo defesa que, quando o estímulo agressor é forte e persistente, resulta em doenças.

Este texto publicado pelo  Ambientebrasil, portal de internet dedicado a informaçao sobre os problemas ambientais mostra como a exploração ambiental gera doenças: 

“Em 1997, nuvens de fumaça pairavam sobre as florestas tropicais da Indonésia após a queimada de uma área com tamanho aproximado ao do estado americano da Pensilvânia para expansão agrícola, queimada essa que ainda foi agravada pela seca na época. Sufocadas pela névoa, as árvores não davam frutos, forçando a população de morcegos frugívoros a voarem para outros locais em busca de alimento, levando consigo uma doença mortal.

Logo que os morcegos se assentaram nas árvores de pomares malaios, os porcos que lá habitavam começaram a adoecer — presume-se que depois de comerem frutas já mordiscadas pelos morcegos — assim como os suinocultores locais. Até 1999, 265 pessoas haviam desenvolvido uma grave inflamação cerebral, 105 delas vindo a óbito. Foi a primeira manifestação conhecida do vírus Nipah em humanos, que, desde então, vem causando uma série de surtos recorrentes em todo o sudeste asiático.

Ela é apenas uma dentre tantas doenças infecciosas que, antes confinadas à vida selvagem, agora se alastram para áreas que estão sendo rapidamente desmatadas.” 

Fonte: https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2019/12/05/155849-desmatamento-esta-causando-aumento-de-doencas-infecciosas-em-humanos.html

Exploração inconsequente do meio ambiente nos ameaça e está realcionada a epidemia

Da mesma forma que dengue é resultado do lixo acumulado e a malária e a febre amarela são resultados da derrubada das florestas, o derretimento das calotas polares devido à poluição e o empobrecimento no mundo todo vão manifestar novos vírus, trazer novas doenças e eventos violentos.

Esta pandemia que estamos vivendo é apenas uma das muitas epidemias com seus problemas sociais e empobrecimento ainda maior, que ainda vamos enfrentar, se essa agressão sobre o planeta e seus biomas não parar. 

A mesma falta de proteção social que levou a consumir animais silvestres provocando o deslocamento e a multiplicação do novo coronavírus fora de seu bioma, está levando a população mundial à revolta.

Porém, os sinais e sintomas da doença são indicativos, que ainda há condições de reagir porque ainda há vida.

Assim como a redução da circulação das pessoas reduziu a poluição, reduziu o consumo desenfreado e os animais voltaram a aparecer nas cidades, é possível mudar o nosso futuro enquanto planeta se todos nos mobilizarmos em defesa dele.

A Organização das Nações Unidas – ONU –  alerta para a importância do protagonismo social e comprometimento de todos os governos com a proteção das florestas: 

“A integridade do ecossistema evidencia a saúde e o desenvolvimento humano. As mudanças ambientais induzidas pelo homem modificam a estrutura populacional da vida selvagem e reduzem a biodiversidade, resultando em condições ambientais que favorecem determinados hospedeiros, vetores e/ou patógenos. A integridade do ecossistema também ajuda a controlar as doenças, apoiando a diversidade biológica e dificultando a disseminação, a ampliação e a dominação dos patógenos.”

 

Esta tarefa corresponde a nós, seres humanos.

Marcha Gaúcha Pelo Clima, realizada em Porto Alegre, Brasil, em 29 de novembro de 2015, parte de uma mobilização internacional contra o aquecimento global. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ambientalismo

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