COMO LIDAR COM A TOSSE EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS

Por Dra Nazira Scaffi

Baseada em minha experiência de 35 anos de clínica e também no uso de terapias naturais, repasso aqui algumas orientações para você manejar a tosse pelo coronavírus, enquanto fortalece suas defesas corporais.

Nestes tempos de epidemia, é importante ter à mão algum recurso terapêutico caseiro para o caso de contrair o Coronavírus e vir a apresentar doença dele decorrente, ou seja, a COVID-19.

Mas antes de tudo, faço um alerta!

É importante saber que essas orientações não se tratam da medicação supressiva dos sintomas e sinais da COVID-19, feita com antitérmicos, analgésico e antinflamatórios. Lembre-se que as reações do corpo, como febre, secreções e tosse, são importantes para barrar o avanço do vírus e das lesões por ele provocadas no organismo.

É preciso que fique bem claro que, quando falamos de tratar a tosse pelo coronavírus não estamos falando de usar antitussígenos, ou seja remédios que tiram ou diminuem a tosse.

Neste texto, especificamente, vamos orientar como reduzir o esforço da tosse provocada pelo coronavírus por meio da fluidificação do catarro. Não se trata portanto de cortar a tosse nem de reduzir as secreções, porque ambos são necessários para defender sua vida.

A nossa proposta, portanto, é orientar procedimentos que auxiliem o organismo a eliminar o vírus e a reduzir a sobrecarga do organismo durante o período do ciclo viral, reduzindo a possibilidade de você se tornar um caso grave e que necessite hospitalização.

SINTOMAS DA INFECÇÃO PULMONAR PELO CORONAVÍRUS

Veja no quadro, dentre os sintomas da COVID-19 qual a frequência da tosse.

A alta transmissibilidade do coronavírus é o grande problema dessa pandemia.

Embora 80% dos infectados não venha a apresentar a doença, muitos adoecem e necessitam hospitalização. E é devido ao grande número de doentes que ocorre a sobrecarga dos serviços de saúde. E o grande número de mortes é devido, principalmente, à impossibilidade de atender a todos que precisam de UTI.

Vale ressaltar, também, que não existe tratamento específico para infecções causadas por coronavírus humano. Tampouco a já famosa Hidroxicloroquina, pois ainda está sendo testada quanto a sua efetividade e seus efeitos adversos. De risco já basta o coronavírus!

De fato, o número de mortes pelo coronavírus poderia ser reduzido caso se tivesse a estrutura necessária para oferecer o tratamento ideal para todos. Mas nenhum país a possui, até porque é uma situação muito excepcional.

Por isso as terapias naturais, caseiras, sobretudo nessa restrição doméstica que devemos praticar, se apresentam como uma alternativa terapêutica importante.

Antes de apresentar minha orientação sobre a terapêutica é importante relembrar como se manifesta e evolui a COVID-19 no corpo do doente.

Como evolui a doença do coronavírus

Um estado viral, como a gripe ou a doença causada pelo novo Coronavírus, a COVID-19 – afeta o sistema respiratório. Os principais sinais da infecção são febre, tosse seca, seguida de tosse produtiva, ou seja, com catarro.

A maioria das pessoas se recuperam sozinhas após alguns dias, porque fazem o repouso e a hidratação recomendados. De fato, consumo de bastante água e uso de umidificador contribuem muito para essa recuperação, pois evitam o ressecamento das secreções.

Entretanto, algumas pessoas evoluem para o quadros mais graves, seja por apresentarem alguma deficiência imunológica, seja por não tratarem os sinais e sintomas da forma correta.

A tosse é uma aliada preciosa

Tosse preocupa, incomoda, é cansativa e dolorosa, mas é um mecanismo indispensável para limpar o pulmão.

Repito, porque é muito importante: tratar a tosse pelo coronavírus não é acabar com a tosse. Não se deve tomar nenhum medicamento antitussígeno, mas, ao contrário, devemos auxiliar em sua função, que é expulsar as secreções de dentro do pulmão.

No entanto, a febre que, na maioria dos casos, faz parte dos sinais de infecção viral, promove a desidratação das secreções. E por isso elas ficam espessas e cada vez mais difíceis de ser expelidas com a tosse.

Então, o doente tosse, tosse, sem conseguir eliminar o catarro. Ele fica cansado de tossir e com dor muscular pelo esforço. E, quanto mais tosse, mais se desidrata e machuca os brônquios que, por sua vez, produzirão mais secreção.

Sua condição vai se agravando, pois o esforço da tosse produz um ferimento dos brônquios e este gera uma broncoconstrição. Ou seja, além da dificuldade de expelir o catarro porque a secreçao está seca e espessa, agora existe um estreitamento das vias de eliminação. A constrição brônquica pode ser percebida pelo chiado ao respirar e pela falta de ar.

Nessa fase,o quadro está ficando muito grave, porque vai evoluir num círculo vicioso até que haja dificuldade para respirar. O pulmão vai ficando mais inflamado e a doença, mais grave.

Nesse momento o doente de COVID-19 necessita sair de casa para buscar assistência hospitalar, porque se fizer exames, vai se revelar uma broncopneumonia grave.

Na evolução da doença pode se desenvolver uma insuficiência respiratória, que faz o paciente necessitar de entubação e ventilação mecânica. Isso se faz necessário, pois o a inflamação dos pulmões e brônquios impede tanto a eliminação dos ácidos orgânicos na expiraçao, como a entrada de oxigênio na inspiração. O corpo vai ficando intoxicado e seus sistemas, circulatório, renal, nervoso… vão sendo rapidamente comprometidos.

É, portanto, o agravamento dessa inflamação no pulmão e brônquios que leva ao quadro de dificuldade respiratória acentuada e da necessidade de internação.

Porque os idosos são os mais afetados

Pessoas mais idosas tendem a ter essa dificuldade com mais frequência, porque têm menos água em seu organismo e são mais sedentários. A secura corporal e a falta de movimento predispõem ao agravametno do quadro pulmonar.

Outro motivo de tosse crônica nos idosos é refluxo gastroesofágico. Ele se deve ao fato de, com a idade, ocorrer uma redução na produção de enzimas digestivas e aa motilidade gastrointestinal. Esses fatores contribuem para o refluxo que, por sua vez, irrita a garganta e produz a tosse.

São essas condições, aliadas à baixa imunidade e às co-morbidades, comumente presentes na idade avançada, que colocam os idosos no grupo de risco de morte pela infecção pelo coronavírus.

Mas, com alguns cuidados simpels, podemos evitar chegar a essa fase.

O que pode ser feito com a tosse pelo coronavírus?

Além dos cuidados de hidratação, podemos utilizar alguns recursos naturais para facilitar a fluidificação do catarro, faciltando a expectoração. Isso deve ser pensado para todas as pessoas que tenham sintomas de coronavírus, independente da idade.

Nesses casos, se estivesse internado, a conduta médica seria usar um fluidificante, ou seja, uma substância que torne o catarro mais fino e menos grudento, para poder ser expelido com a tosse. A esse fluidificante, geralmente se acrescenta, um broncodilatador.

Um recurso excelente para promover a fluidificação do catarro e ao mesmo tempo a brondilatação é fazer um xarope de abacaxi com agrião, guaco e mel.

O abacaxi contém, além de várias vitaminas e minerais antioxidantes, a bromelina. A bromelina é o principal princípio ativo de medicamentos expectorantes vendidos nas farmácias como o Bromelin® e Melxi®.

Bromelina é uma mistura enzimática presente no fruto, no miolo e na parte dura do abacaxi, que muita gente retira na hora de saborear a fruta. A enzima bromelina age em nosso organismo desempenhando três funções:

  1. A bromelina tem ação mucolítica, dissolvendo o muco ou catarro dos pulmões. Isso favorece uma limpeza geral, como se fosse passada uma esponja, e facilita a expectoração.
  2. Sua ação antinflamatória, auxilia no descongestionamento da circulação.
  3. Ação enzimática favorece a digestão, reduzindo a sobrecarga intestinal e o refluxo gastroesofágico.

Alimentos e frutos que auxiliam na cura de viroses.

Como precaução é importante ter à mão um xarope nesse período de Coronavírus.

Na verdade, muitos frutos e vegetais auxiliam no cuidado da saúde e no tratamento caseiro de doenças respiratórias.  A receita que vou orientar contém os seguintes ingredientes:

  • Abacaxi (Ananas comosus), cujas propriedades relacionadas ao presente tema foram apresentadas;
  • Agrião (Nasturtium officinale), muito conhecido por suas propriedades antinflamatórias;
  • Guaco (Mikania glomerate) que age como broncodilatador;
  • Mel, cicatrizante das vias aéreas e por isso reduz a tosse.
Frutas e vegetais são importantes aliados no enfrentamento de viroses.

Xarope de abacaxi com agrião e guaco – um bom remédio para problemas pulmonares agudos.

Veja como preparar:

Ingredientes:

  • 1 ou 2 xícaras de água;
  • 1 abacaxi com casca e tudo, cortado em pedaços pequenos;
  • 1 maço de agrião;
  • 10 folhas de guaco verde ou 3 colheres das de sopa de guaco seco
  • 4 colheres de sopa de mel.

Lave bem a casca do abacaxi, com água e sabão, pique todo o abacaxi em pedaços pequenos e coloque para cozinhar com um copo de água. Acrescente também o agrião lavado com os talos e o guaco. Deixe cozinhar por uns 20 minutos – se necessário coloque um pouco de água. Desligue, deixe esfriar e acrescente o mel. O mel não pode ser colocado na mistura quando ainda está quente para não perder as suas propriedades medicinais. Coe e coloque dentro de uma garrafa ou potes de vidro. Faça as etiquetas e guarde o xarope na geladeira.

Tome 3 colheres de sobremesa por dia para crianças e uma colher das de sopa para adultos.

Se for guardado na geladeira, a validade é de 3 meses. Mas, ao tomar, verifique se o cheiro e a cor estão como no início.

Aproveite também para fazer sucos e chás com esses ingredientes, pois bebidas quentes reduzem os catarros e a tosse.

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No Instituto Aleema, trabalhamos com Educaçao em Saúde para reduzir o adoecimento na sociedade.

Bom proveito!

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